O grande marco da prova.
Já passou algum tempo desde que participei nesta prova, mas não posso deixar de registar este momento no blog. Isto porque foi a primeira prova de trail em que participei completamente sozinha. Ora isto pode não ser nada de especial para o comum atleta, mas como sou bastante desajeitada tenho algum receio em me aventurar em trilhos sem "supervisão"... Mas já estava na altura! E como a prova até era relativamente perto de Lisboa (Anços, Sintra) decidi arriscar.
Para poder ter algum tempo para me ambientar ao local e levantar o dorsal sem grandes pressas, resolvi ir um pouco mais cedo. Uma particularidade interessante era o chip que consistia numa pulseira reutilizável e que teria que ser devolvida no final. Para controlo de chip tínhamos que entrar neste corredor onde seria dada a partida.
Corredor para controlo de chip e partida
A prova era bastante acessível e boa para iniciantes do trail e para o regresso das férias. O percurso era quase todo feito em terra batida mas de vez em quando lá surgiam alguns desafios, como atravessar ribeiras e saltar paredes para um colchão.
Ribeira nos primeiros quilómetros (fotografia de O Praticante).
Quase todos os desafios correram bem menos este famoso colchão. Medricas
como sou em vez de saltar de frente para o colchão pensei em fazer um
salto sentada na parede e virar-me de frente para a parede de forma a agarrá-la e cair apenas para o colchão. Ora os meus dotes de parkour são praticamente nulos e por isso a manobra não correu bem. Acabei por ficar com dois grandes arranhões nos braços e as cicatrizes ficam até hoje (marcas de guerra da minha primeira aventura a solo).
Como o percurso era feito quase todo sem sombra o calor fazia-se sentir, e sensivelmente 10 km havia uma lagoa que muitos atletas usaram para se refrescarem. Apetecia-me ter feito o mesmo, mas como sou bastante lenta resolvi passar a oportunidade. A prova tinha três subidas mais difíceis que faziam alguma moça. Felizmente numa delas havia um abastecimento que veio a ser bastante útil.
Uma das subidas (fotografia de apricare)
Outro grande desafio para mim foi uma rocha íngreme (quase parede) que se tinha que subir depois de uma destas subidas grandes. Ora sem cordas e sem ajuda acho que foi a única vez que pensei "raios, eu realmente não consigo fazer isto sozinha". Felizmente percebi que nunca estamos realmente sozinhos nos trilhos e um atleta muito simpático ajudou-me a subir a maldita parede.
A cascata que deu o nome a esta prova só surgiu mesmo nos últimos kms e como já tinha tido dois percalços quando vi que tinha que descer até à cascata e subir novamente pensei "é agora que não vai dar, quem te manda vir sozinha". Nesta zona estava uma pessoa da organização a dar indicações e quando vi outro atleta a vir da cascata e a bufar perguntei-lhe se o caminho era acessível. Ele disse que sim e deu-me a confiança necessária para acabar a prova. Depois de tantos kms feitos ao sol e em trilhos de certa forma aborrecidos (no sentido que não tinham muita complexidade), foi uma lufada de ar fresco passar por ali!
Parte da cascata
No final fiquei um pouco frustrada pelo tempo que demorei a fazer a prova mas bastante contente por mostrar a mim mesma que conseguia fazer provas de trail sozinha. Pelo menos algumas....






